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terça-feira, 17 de abril de 2012

A Piscina ...


Uma das mais obscuras regras em termos de conhecimento fala sobre o tamanho exato da piscina.





São diversas as medidas que são envolvidas na piscina, vamos ficar por enquanto somente na mais importante: o comprimento.

Como sabem, as piscinas são divididas entre 2 comprimentos: 25 metros e 50 metros. Existe ainda as piscinas de 25 jardas (= 22,86 metros) muito comuns nos Estados Unidos. Mas para validação de recordes mundiais, a FINA só reconhece as duas primeiras medidas, em metros.

Melhorando a precisão, as piscinas tem que ter 25,00 e 50,00 metros, com uma tolerância máxima de 0,03 metros, o que trocando em miúdos ela pode ter entre 25,00 e 25,03 ou 50,00 a 50,03. São 3 centímetros que fazem a diferença.

Nunca uma piscina pode ter 24,99 ou 49,98.

Esta tolerância se deve principalmente ao fato de ser instalado na parede de cada lado da piscina as placas de toque da cronometragem eletrônica:





Com a instalação desta placa, a medida da piscina tem que ficar entre 25,00 e 25,03 ou ainda 50,00 e 50,03.

A medição deve ser feita por um oficial da Federação, Confederação ou FINA, ou ainda – melhor – por um agrimensor.


O agrimensor utiliza esse aparelho meio binóculo acima, chamado teodolito.

Já os oficiais indicados podem utilizar uma fita métrica de aço ou um medidor a laser. É importante saber que esta medida oficial deve ser realizada em todas as raias, numa área que compreende 30 centímetros acima do nível da água e 80 centímetros abaixo do nível da água.

Quem se recorda do memorável recorde de César Cielo na piscina do Esporte Clube Pinheiros, com 20s91, em 2009? Pois saibam que dias antes haviam técnicos na piscina checando o comprimento. Isso é um requisito que a FINA faz para ter certeza que a piscina onde os atletas competiram – e superaram recordes mundiais – está dentro das medidas estabelecidas. Se não estiver, bem, o recorde não valeria. Se estivesse com 50,04 metros, não vale. Se estiver com 49,99995, também não vale.

Muitas piscinas perdem suas medidas oficiais por causa de reformas. A troca dos azulejos laterais é um dos grandes motivos, aliado à nova camada de concreto.

E não adianta recuar o bloco de partida para “compensar” a perda no comprimento, como já vi um engenheiro recomendar durante a reforma errada numa piscina!

Por isso, prefeituras, clubes, academias e associações devem consultar a Federação estadual ou até mesmo com a Confederação ANTES de iniciar uma reforma para saber se a piscina ainda ficará de acordo com as medidas exigidas.



“Ei! Não esquece do ralo!!!!”


Muitos atletas acreditam que certas piscinas são maiores que outras, mas a combinação entre altitude e profundidade faz com que eles tenham a sensação de que estão nadando a mais, quando a piscina tem exatamente o mesmo comprimento de outras ao nível do mar. Uma comparação seria entre a piscina do Minas Tênis Clube ou ainda do DEFER de Brasília, e a piscina do Parque Aquático Julio de Lamare e do Parque Aquático Maria Lenk. Todas tem 50 metros, mas nadar em Brasília dá uma sensação de que ela é muuuuuito mais longa…

Por: Regras de Natação

Os 10 erros mais comuns da natação master

O vídeo abaixo é de setembro de 2010 e é dedicado aos nadadores masters. Ele é apresentado por Pierre Cloutier, árbitro da Swimming Canada, a Confederação Canadense de Natação, uma pessoa com ampla experiência no assunto. O vídeo está em inglês, mas não será difícil de entender visto que ele é bem ilustrado com imagens.





Os 10 erros mais comuns de nadadores masters:


10. Transição errada entre os nados no nado medley


9. Segunda tração de braços na filipina do nado peito

8. Recuperação do braço no nado borboleta

7. Pequenas infrações, como nadar com relógio ou puxar raia
6. Infrações na saída de revezamento, “queimar”

5. Infrações na saída, “queimar”, se mover, não tomar a posição correta
4. Nado simétrico, no mesmo plano horizontal e simultâneo (por exemplo, a pernada de peito deve ser feita de forma simultânea e simétrica, ou seja, as duas pernas tem que realizar o mesmo movimento ao mesmo tempo)

3. Viradas e chegadas ilegais, como toque com uma mão na virada do nado borboleta

2. Virada de costas

1. Golfinhada na filipina do nado peito

Por: Regras de Natação

Dúvida: posso bater perna na virada do costas?

Esclarecendo a dúvida de um leitor do site, já que no título está confuso: quando o atleta vira de barriga para baixo para iniciar a virada no nado de costas, ele pode continuar batendo perna até que chegue na parede?




Vamos ilustrar a dúvida com esse vídeo de 30 segundos – que inclusive tem a resposta:





A resposta é sim, o atleta pode continuar batendo a perna mesmo depois de ter virado de barriga pra baixo.
O problema da virada de costas na atual regra não é a perna, mas sim os braços. Diz a regra:
SW 6.4 When executing the turn there must be a touch of the wall with some part of the swimmer’s body in his/her respective lane. During the turn the shoulders may be turned over the vertical to the breast after which a continuous single arm pull or a continuous simultaneous double arm pull may be used to initiate the turn. The swimmer must have returned to the position on the back upon leaving the wall.
Quando o nadador passa o limite de 90 graus entre o seu corpo e a superfície d’água, virando o seu corpo com a barriga para baixo, é permitido que ele execute uma braçada ou duas braçadas simultâneas. Está explícito “simultâneas”, os dois braços juntos! Muitos erros ocorrem aqui, quando o atleta está com um braço esticado e o outro na linha da cintura e então o que está na linha da cintura começa o movimento de braçada. Isso não pode, é considerada como uma segunda braçada fora da posição de costas e o atleta é desclassificado.
Quando ele acabar de executar a braçada ou braçadas, o nadador PODE iniciar o movimento de virada. Isso não está na regra, é uma interpretação do árbitro geral. Durante esse período, pode acontecer do nadador estar distante da parede. Como ele já executou a braçada, resta apenas bater perna. Não há problema aí, visto que o único prejudicado é o atleta (bater perna é mais lento do que o nado de costas em si). Mas ele não pode, depois de estar de barriga pra baixo, executar mais braçadas, sob a pena de ser desclassificado.
Então fica a dica: lembre-se sempre de que você só pode dar uma braçadas ou duas braçadas simultâneas quando virar de barriga pra baixo. Depois disso, só perna, não tente dar outra braçada senão será desclassificado.
Aproveitando que estamos falando da virada do nado de costas, o nadador pode tocar na parede qualquer parte de seu corpo na virada (pode ser a cabeça, a bunda – comum entre aqueles que calculam errado o início da virada, mas o mais comum – e rápido – é o pé). Mas o nadador também pode usar a mão, usando a antiga virada onde era obrigatório o toque na parede na posição de costas (o que aliás ainda se aplica no nado medley, na transição do costas para o peito).
O nado de costas foi o nado que mais teve alterações nas regras desde 1988. Na Olimpíada de Seul, um memorável duelo “submerso” entre o japonês Daichi Suzuki e o norte-americano David Berkoff. A prova iniciou o debate sobre o limite de 15 metros submerso para o nado costas. Veja como foi a prova:




Por: Regras de Natação

domingo, 1 de abril de 2012

Será que eu posso nadar girando os dois braços de costas?

Sim.



A regra do nado de costas expressa que o nadador deve ficar na posição de costas durante o percurso mas não faz menção sobre os movimentos dos braços e das pernas.

O único momento que o nadador pode virar de barriga pra baixo é no momento da virada – onde caberá outro post para explicar a regra da virada do nado de costas pois sua explicação merece mais espaço.
Por nado de costas entende-se que o nadador está com as suas costas virada para o fundo da piscina, com o corpo não ultrapassando o limite de 90 graus com a superfície d’água.

Isso é importante porque o nado de costas, como conhecemos tradicionalmente – braços e pernas alternados – utiliza uma rotação do corpo para aproveitamento máximo da tração dos braços que auxilia na propulsão do nado. A rotação é permitida, mas não pode ultrapassar esse limite de 90 graus, senão o nado já não é mais de costas e o nadador é desclassificado.

Se sua cabeça está balançando de um lado pra outro ou até mesmo fica lateralmente na água, não é relevante para julgamento de regra. No entanto, existe uma possível confusão onde cada árbitro geral pode interpretar sobre o que julgar no limite de 90 graus: o corpo ou os ombros.

A regra diz sobre “body” (corpo), mas convenhamos que até os pés fazem parte do corpo se for levar ao pé da letra.

Nos cursos de arbitragem, os árbitros são instruídos a olhar o ombro do nadador para julgar o limite de 90 graus.

Por: Regras de Natação

Comemoração ou ato proposital?

Responsável pelas mais belas imagens comemorativas da natação, o momento da chegada, quando o atleta ainda está dentro da piscina é ainda um momento que pode ser julgado pelo árbitro geral.



Tá vendo essa aguacera aí do lado? Nada contra, é um momento de explosão do atleta, que merecidamente comemora algum título, recorde ou superação pessoal. Mas saiba que nem todo tipo de comemoração é permitido numa prova de natação.




O mais comum erro em comemoração é durante as provas de revezamento, onde os atletas empolgados pulam na água pra comemorar a vitória com o companheiro que acabou de completar a prova.

A equipe é desclassificada?

Depende. Eis a regra:

SW 10.12 Any relay team shall be disqualified from a race if a team member, other than the swimmer designated to swim that length, enters the water when the race is being conducted, before all swimmers of all teams have finished the race.

Se o pulo na água for depois do último atleta completar a prova, a equipe pode não ser desclassificada, já que o pulo foi impulsivo e não atrapalhou a prova. Há limites para a comemoração, já que pular na raia do vizinho, fazer algazarra, berrar demais, fazer gestos obscenos, humilhar os adversários, isso tudo entra na interpretação do árbitro geral que tem o poder de desclassificar a equipe por má conduta esportiva.

SW 2.1.1 The referee shall have full control and authority over all officials, approve their assignments, and instruct them regarding all special features or regulations related to the competitions. He shall enforce all rules and decisions of FINA and shall decide all questions relating to the actual conduct of the meet, and event or the competition, the final settlement of which is not otherwise covered by the rules. (grifo meu)

Outra “anormalidade” comum que pode acontecer é na chegada o atleta estar nervoso e jogar água – ou até mesmo touca e óculos como já vi acontecer – no árbitro. É muito possível que todos os atletas façam isso impulsivamente, mas se o ato for julgado proposital, cabe advertência e/ou desclassificação, que é dirigida para o atleta e posteriormente para o chefe da equipe.

Estes atos propositais são raros nas piscinas, já que a natação é um esporte muito tranquilo pela sua história, participantes e organização. Mas sempre que ocorrem, o normal é o árbitro geral ser rígido e fazer valer as regras, protegendo assim todos os outros participantes. Um exemplo de desrespeito aos outros atletas e ao público pode ser visto neste vídeo abaixo. É sim bem engraçado, mas se for uma competição gerida pelas regras da FINA, a desclassificação foi correta.



Nado BORBOLETA: Voltando a submergir

“Se durante a prova de borboleta a prova é iniciada, o atleta golfinha até os 15 metros e depois volta a submergir e golfinhar, isso pode?”
 
Não.



Como nas provas de livre e costas, o nado borboleta permite que o atleta fique completamente submerso
até a linha dos 15 metros depois da saída e depois de cada virada.

Quando iniciar o movimento das braçadas, o atleta não pode mais ficar submerso, visto que durante a prova, exceto nesta parte dos 15 metros, o atleta tem que quebrar a superfície da água com alguma parte de seu corpo, até chegar à próxima virada ou à chegada:

SW 8.5 At the start and at turns, a swimmer is permitted one or more leg kicks and one arm pull under the water, which must bring him to the surface. It shall be permissible for a swimmer to be completely submerged for a distance of not more than 15 metres after the start and after each turn. By that point, the head must have broken the surface. The swimmer must remain on the surface until the next turn or finish.

Ou seja, a partir do momento que o atleta deu a primeira “puxada” da braçada, ele já deve estar quase que quebrando a superfície d’água.

Você pode até perguntar: tá, mas e se ele sair nos quinze metros e continuar com o braço extentido, só fazendo a golfinhada, isso é legal?

Não.

SW 8.2 Both arms shall be brought forward together over the water and brought backward simultaneously through-out the race, subject to SW 8.5.

Ambos os braços devem ser levados à frente e acima do nível da água e trazido para trás simultaneamente DURANTE a prova, exceto no caso previsto (submerso depois das viradas ou da saída). Esta regra, inclusive, é um grande problema para atletas mirins, petiz e masters, pois são vários os casos de nadadores que durante o percurso “cansam” e acabam arrastando o braço na água, às vezes fazendo de forma alternada e outras tantas nem conseguindo tirar o braço d’água. É onde ocorre a desclassificação.

O nado de borboleta é o mais belo dos 4 estilos. No entanto, é preciso muito treino para conseguir realizar um nado dentro das regras, e mais ainda para obter grandes resultados!

Como curiosidade, quem nunca viu a prova de 100m borboleta mais disputada da história olímpica: